31.10.06
Datas
- Você é o tipo de garoto que se eu tivesse conhecido há três anos atrás, teria me apaixonado no segundo dia.
- Mas você só me conheceu agora.
- Por isso que me apaixonei no primeiro.
Luciana Brandão ; às 1:49 PM ;
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26.10.06
Borboletas no Estômago
Dá pra me fazer engolir a droga das borboletas de uma vez?
Luciana Brandão ; às 3:06 PM ;
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25.10.06
Realizar Sonhos
- Pintei esse retrato pra você.
- Nossa, é lindo. Vou guardar ele pra quando eu tiver 30 anos e você realizar o sonho de ser um artista famoso eu poder me gabar.
- Mas não é meu sonho.
- Eu sei, é o meu.
- Então quer dizer que o seu grande sonho é ser uma artista famosa?
- Não, bobinho. Meu sonho é que você seja um artista famoso.
Bernardo cresceu. Raquel não. É por isso que ele foi passar aquela semana na sua grande exposição em Paris.
Luciana Brandão ; às 9:27 PM ;
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23.10.06
Monocromática
A amizade de Lúcia e Gustavo era cinza, e ela sabia disso.
O sentimento que Lúcia alimentava por Gustavo era muito maior do que amizade. Ela nunca teve a audácia de dizer, mas tentava transmitir isso de alguma maneira. Infelizmente, a garota não tinha essa transparência. Algumas indiretas haviam sido ditas poucas vezes, e todas as piadas que os colegas faziam sobre os dois terminavam em risadas.
Conheceram-se no ônibus. Lúcia lia o livro preferido de Gustavo, e Gustavo ouvia o CD da banda que Lúcia mais adorava. Trocaram algumas palavras e de repente já sentiam como se fossem amigos há décadas.
Em setembro, quando completou um ano que os dois se conheciam, Lúcia embrulhou em um papel pardo uma barra de chocolate e deu de presente para o amigo. Enquanto devoravam o doce, a garota comentou: "Já faz um ano que a gente se conhece". Ele apenas sorriu e respondeu: "É, faz só um ano". E depois fizeram dois, e três. E quando Lúcia se deu por conta já era tarde de mais para falar qualquer coisa. Era muito carinho, muitas risadas, muita música, muita amizade pra ser destruída por um simples comentário da garota.
Uma vez, até tentou. Iria mandar para Gustavo o desenho de um coração e em baixo estaria escrito "ele é todo seu, mas você nem sabe disso". O envelope já estava na mão de Lúcia quando ele veio contar que estava namorando. A jovem ruborizou e quando chegou em casa jogou a carta dentro de alguma gaveta. Ela ainda tá lá.
Gustavo teve três paixões, e contou todos os detalhes de todas elas para Lúcia. Ela nunca teve audácia para interrompê-lo, por dois motivos: Lúcia não era audaciosa; e o que sentia quando via Gustavo sorridente e alegre era uma batalha de ciúmes e de felicidade. A felicidade sempre foi mais forte. Lúcia nem tinha o direito de interromper Gustavo, afinal, sempre pediu conselhos amorosos sobre todos os seus namorados, que não foram poucos.
Talvez por isso Lúcia sempre preferisse o silêncio. Ou pelo menos eram essas as desculpas que contava para si mesma. Já que a verdade era que tinha medo de declarar-se, e em resposta não ouvir. Mas daí, já seria tarde de mais para voltar atrás. A amizade não seria a mesma, e no fundo sempre sobraria aquele resto de esperança destruída por Lúcia.
Foi em nome dessa causa de preservar a amizade que naquele Natal Lúcia calou as palavras e jogou no lixo as rosas vermelhas que daria pra Gustavo.
A amizade de Lúcia e Gustavo era cinza, e ela sabia disso. E ele sabia que ela sabia disso.
E foi em nome dessa causa de finalmente demonstrar para garota o que sentia que naquele Natal Gustavo presenteou Lúcia com uma caixa de giz de cera.
Luciana Brandão ; às 1:05 PM ;
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22.10.06
Perto de Mais
Uma vez me disseram que o ódio é o sentimento mais próximo do amor, e que eles são separados por uma barreira muito fina que pode ser dilacerada a qualquer momento. E esse rasgo deve ser evitado.
Leandro odiava Roberta. Não era apenas como as outras briguinhas idiotas do colegial, repletas de fofocas e garotas mesquinhas discutindo pra ver quem tinha o celular moderno, o que Leandro sentia por Roberta não podia ser explicado com palavras. Toda vez que a garota passava ele sentia seu sangue pulsar mais forte, como se fosse arrebentar o peito e jorrar para todo o lado a qualquer momento. Sentia vontade de torcer o pescoço de Roberta, e ir torcendo, e torcendo até ela não ter mais ar para respirar.
Roberta odiava Leandro. Muito. Sempre que tinha a oportunidade de humilhá-lo em público, o fazia. Era uma moça inteligente e concreta no que dizia, e sabia disso. Em todas as festas e bares que ia com os colegas, toda vez que avistava Leandro ela provocava. Fazia indiretas e cutucava a onça. Ele nunca revidava. Uma vez até tentou, mas revidou com frases tão inseguras e toscas que sentiu-se muito pior do que quando havia ficado quieto. Por isso preferia a indiferença.
Os amigos já nem prestavam atenção na troca de olhares raivosos ou nos comentários ofensivos. E Roberta continuava a provocar. Leandro sabia que um dia perderia a pouca paciência que lhe restava e tomaria uma atitude, resolveria o problema com as próprias mãos, e no dia que isso acontecesse ele não agiria por si.
Ninguém lembrava como começou a inimizade entre os dois.
Só Leandro. Ele lembrava como se fosse ontem o dia que a garota entrou na sala da aula com aquele vestido vermelho de veludo, a turma inteira havia parado de assistir a aula para prestar atenção em Roberta, que em seguida teve que sair da sala de aula. Segundo o professor "moças de respeito não usavam vestes como aquela". Roberta apenas comentou "eu não sou uma moça de respeito", e saiu da sala. Foi naquele momento que Leandro se apaixonou. No início conversavam e ele podia jurar que a garota correspondia todos seus sinais. Jogavam aquele velho joguinho da conquista, com a troca de olhares, o roçar das pernas e as palavras vulgares, tudo muito indiretamente. Até que a vagabunda havia começado a humilhá-lo. Aparecia com homens mais velhos em sua frente, ria da sua cara com as amigas e lançava aquelas indiretas durante as aulas de literatura. Foi quando ele decidiu se vingar. Não fez nada de mais, apenas algumas ligações e a garota nunca mais esqueceria aquela festa de final de ano.
Ninguém lembrava como começou a inimizade entre os dois.
Só Roberta. Ela sempre lembrava de quando Leandro parecia ser um carinha legal e divertido, mas na verdade era um grande cafajeste. Quando o viu pela primeira vez estava lanchando, ela conversava baixinho com as amigas e ele ria alto e movia as mãos no meio do time de basquete. Decidiu que iria conquista-lo. Escolheu uma das matérias que cursavam no mesmo horário, usou o vestido de veludo vermelho e toda sua audácia para ser notada. E funcionou. Ou pelo menos estava parecendo funcionar, o jeito como ele ria, como a olhava, até as poucas palavras que ele dizia indicavam que o sentimento era recíproco, mas quando Roberta o viu aos amassos com a garota do último ano não pensou duas vezes. Ela se vingaria. Sabia usar as palavras, o provocava e o humilhava, queria que ele sentisse aos poucos aquela dor idiota que ela havia sentido. E tudo estava sobre controle até o dia daquela maldita festa.
"Foi a gota d'água", segundo Roberta. Todo aquele lance com os garotos do futebol e o vestido dela, ela sabia que Leandro havia armado tudo. E as armas que ele havia usado eram muito mais fortes e a atingiram muito mais do que qualquer lembrança que ela tinha. Doía de mais, era humilhante de mais. Se até aquele momento ela ainda guardava alguma esperança de se acertarem algum dia havia terminado naquela festa.
No final Leandro teve que admitir para si mesmo que a situação fugiu do seu controle. A idéia inicial era apenas o time de futebol zoar um pouco com a garota, e não fazer o que fizeram. Havia sido cruel de mais e ele sabia que a garota havia se ofendido.
Depois daquele dia a guerra estava declarada. Ela, magoada e jurando vingança, enquanto ele era orgulhoso de mais para tentar resgatar qualquer coisa.
Por isso que haviam passado os dois anos seguintes se confrontando. Porque a cada dia que passava o ódio entre os dois crescia mais e mais.
Naquela sexta feira era a festa de formatura das turmas de Leandro e Roberta. Ela já havia planejado tudo, não deixaria barato. Conseguiu convencer o cara do som e falaria no palco durante cinco minutos. Não só falou como chamou Leandro para falar com ela.
Surpresa. Para ele, para as amigas e para os professores, que adoravam todo aquele assunto.
Abaixou a música, olhou fundo nos olhos do garoto e começou a falar. "Diga-me, Leozinho. O que você tem a dizer em sua defesa sobre os comentários da Nikinha?"
Nikinha. Leandro lembrava muito bem daquele nome. Era aquela guria idiota com quem ele havia ficado no primeiro ano e que espalhou para o colégio inteiro coisas intimas sobre o garoto. Até hoje jura que não foi ela, mentirosa... Ele só acordou dos seus pensamentos quando ouviu as vaias da platéia e do time de futebol. Todos estavam do lado de Roberta.
Roberta falava, e falava, e se tinha alguma coisa que ela sabia fazer era falar.
Leandro odiava Roberta. E agora estava cansado de toda aquela guerra. Precisava acabar com aquilo de uma vez por todas. Não falaria por si, havia perdido a pouca paciência que lhe restava. Suspirou e, fora de si, agarrou-se ao pescoço da jovem e a beijou.
Uma vez me disseram que o amor é o sentimento mais próximo do ódio, separados apenas por uma barreira muito fina e perigosa que pode ser rasgada a qualquer momento. Disseram-me também que ela sempre pode ser costurada de novo.
Luciana Brandão ; às 1:22 AM ;
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17.10.06
Minute Maid
"a vida ensina que o grande segredo pra vencer uma corrida não é fazer o adversário ser mais lento, mas sim fazer você mesmo ser mais rápido"
ontem no aeroporto reparei que a atendente se chamava mariana.
"O homem é um animal que sabe cozinhar" - revista caras.
ainda não assisti o final do meu filme preferido e todos merecem uma segunda chance.
2006 passou rápido de mais e eu quero que os próximos 3 anos passem na mesma velocidade.
só fiz um fotolog porque aprendi a tirar as espinhas pelo photoshop.
o antonio banderas tá feio naquele filme 'o corpo'.
meus pensamentos são em inglês e se eu pudesse filmar todas as histórias que crio mas não escrevo já seria famosa.
não gosto do sol porque é calor de mais e até hoje não tomei banho de chuva.
eu sou capaz de abrir mão do orgulho, das palavras e dos sentimentos pra preservar uma amizade.
deveria existir uma sociedade alternativa onde todos se comunicassem usando apenas a expressão "hm" e derivados.
eu gosto de contar usando os dedos da mão e chamo as pessoas de chuchu de vez em quando.
eu quero viajar o mundo. quero viver em uma cidade da inglaterra em um prédio antigo com uma janela de vidro no quarto. quero viver uma cena romântica de cinema, aquelas dos aeroportos. quero ver um show dos goo goo dolls, ao vivo.
acredito que as coisas se tornam 'mais reais' depois de faladas.
tenho medo de bonecos, nunca assisti ao filme do chukie ou derivados e a nunca quis ganhar uma barbie.
têm 3 tipos de músicas: aquelas que você ouve e vicia na hora; aquela que você ouve, ouve e só vicia depois de muito tempo; aquela que você ouve e que nunca te chama atençao. e aquela que você escuta.
meu nome é luciana costa brandão, meu apelido é lucy e praticamente todo mundo me chama assim, quando me chamam de luciana tenho a impressão de que fiz alguma coisa errada, e só pessoas especiais podem me chamar de Luci, e elas sabem [que são, que podem e que não precisam perguntar].
vírgula.ponto.
Luciana Brandão ; às 7:55 PM ;
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15.10.06
Má-rima
Carola podia ter o que quisesse, menos Pedro. E era Pedro quem Carola queria ter.
Quando aprendeu a falar, suas primeiras palavras foram "dadá". Com cinco anos, mandava em seus pais, em seus avós, em seus tios, irmãos e até no pastor. Todos obedeciam Carola. Quando queria alguma coisa, sua vontade era sempre atendida. Não importava quando nem o quê, se Carola dizia "eu quero" Carola tinha que ter.
Aos 13, tinha uma bolsa nova a cada domingo e com 15 foi escolher seu vestido. Carola podia escolher o que quisesse, na loja que quisesse que ela teria. Mas o vestido de Carola não estava a venda. Aquele, daquela jovem que ela viu na rua. Estalou os dedos, tirou o dinheiro do bolso e comprou da menina. Afinal, o vestido que Carola queria ninguém vendia, mas a menina que o tinha abriu mão da seda branca por uma boa quantia.
Afinal, Carola podia ter o que quisesse. Menos Pedro.
Pedro, Carola não podia ter, porque Pedro não era de ninguém. Pedro era da vida e só da vida, e a vida não abria mão de Pedro por quantia alguma. E pela primeira vez Carola teve que entender o significado de "falta". Mas como sentir falta de algo que nunca teve? Se perguntava.
Olhou-se no espelho, azar o dela. Menina mimada, dona de tudo. Agora leva um tapa na cara, pra aprender que a vida tem um jeito pão-duro.
No final, Pedro conheceu Cristiane. Cristiane não era de ninguém, era do mundo e só do mundo. E juntos seguiram mundo, viveram a vida, sem posses e sem donos.
E no final, Carola casou com Leandro. Afinal, com um belo vestido branco de seda e uma quantia gorda de dinheiro Carola podia ter o que quisesse, menos aquele... mas qual era mesmo o nome dele?
Luciana Brandão ; às 3:40 PM ;
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13.10.06
Seis Anos
- Ei, Mariazinha?
- O quê?
- Me dá um beijo?
- Dou.
Smack.
...
- Ei, Joãozinho?
- O quê?
- Você gosta de mim?
- Eca! Eu não.
- Então por que me pediu um beijo?
- Eu apostei com o Zequinha um pacote de bolachas que conseguia um beijo teu.
...
- Ei, Joãzinho?
- O quê?
- Divide comigo?
- Divido!
Luciana Brandão ; às 2:58 PM ;
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10.10.06
TK.
deveria existir uma maneira de teletransportar sentimentos, sorrisos, abraços...
...e cartas.
mas já que não existe, me contento com a amizade e com a imaginação.
Luciana Brandão ; às 6:01 PM ;
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5.10.06
Felicidade
Para Júlio era vê-la passar na frente de sua casa todas as manhãs.
Para Andréia era se debruçar na varanda e rir do vizinho todas as noites.
Já para as caçulas, felicidade era serem damas de honra no casamento da irmã mais velha com um garoto estranho que morava alí perto.
Luciana Brandão ; às 7:15 PM ;
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2.10.06
Carta
para Karine,
O nosso amor virou bom dia. Acho que no fundo é isso que deveria ter citado quando você me perguntou, naquela manhã, porque eu andava daquele jeito nos últimos meses. Eu sei que você teria entendido se eu tivesse falado, talvez até pudessemos ter revertido a situação, mas não falei.
Ah Karine, se você soubesse de todas as coisas nas quais pensei e não disse tenho certeza que ficaria muito surpresa. Devo ressaltar todos os comentários que não fiz, com medo de te magoar. Pois naqueles últimos meses você andava se magoando muito facilmente.
Era de minha preferência o passado. Quando compartilhavámos apenas aquela amizade colorida sempre tão cheia de risadas. Eu podia falar das outras garotas e você me olhava com aquela expressão de sarcasmo, e você falava dos cantores, você deveria se ver suspirando por aqueles famosos, era uma graça. Mas quando você não era, Karine? O jeito de andar, o jeito de falar, as piadas, até seus comentários importunos que me feriam vez que outra eram uma graça.
Gostava de quando você sorria pra mim. Não um sorriso bobo, mas aquele cheio de emoção. Lembra que eu retribuía? Lembra da primeira vez que te vi rindo? Morri de rir da sua risada. Tão esquisita e tão graciosa ao mesmo tempo. Que saudades, Karine, daqueles velhos tempos.
Sabe, um jovem como eu jamais deveria usar a expressão "velhos tempos", não acha? Afinal de contas, éramos todos jovens. Tolos. E acabamos sofrendo as consequências das nossas próprias tolices. Lembro do dia que me apaixonei por ti. E sinto tanto por isso, você não conseguiria imaginar o quanto. Teus longos cabelos negros me faziam delirar. Mas se eu soubesse que você os cortaria channel, teria pensado duas vezes.
Ainda há algumas noites em que eu me surpreendo pensando em você e em como você mudou depois que começamos a namorar. Lembro que no início era tudo tão maravilhoso mas depois de algum tempo, cansamos. E você foi mudando aos pouquinhos, para quê? Para quê levar-se tão a serio? O que ganhou com isso? Pois eu, não ganhei nada, ao contrário, perdi muito. Preferia quando você tropeçava e ria, ao invés de virar-se zangada; preferia quando você me magoava e as desculpas vinham logo em seguida, e eram sinceras, porque depois você passou a me magoar mais, e quem tinha de se desculpar era eu.
Acho que esse foi nosso maior pecado. Tornamos tudo rotineiro de mais, e logo não havia mais espaço para as risadas, as piadas, as orquídeas e nem para a saudade. Havia só o bom dia e aquele seu ciúme insuportável. Você era ciumenta de mais, e isso cansava. Quantas vezes vou ter que dizer que não houve nada com a Gisele? E se eu dissesse mil vezes, você não acreditaria em mim do mesmo jeito. Muito bobinha você, Karine.
Pois saiba que eu não quero mais o bom dia. Não quero mais enviar rosas e não saber se você as recebeu. A praia anda tão solitária sem você. O mar não tem mais ondas, meu violão insiste em não produzir som, e a lua se esconde todas as noites por detrás das nuvens. Acho que ela sente falta de você, e se deseja saber, eu também sinto. Pois saiba, Karine, que eu desejo mais do que um bom dia, quero seus beijos com gosto de mel, quero que dedilhe meus cabelos, quero seu sorriso a dois centímetros do meu, quero o café da manhã, o dormiu bem, o boa tarde e o boa noite também.
Mas acho que você não quer.
Não me desculparei, Karine, pois não me sinto culpado. Talvez um pouco, por ter falado de menos. Mas se havia alguma responsabilidade em nos manter unidos, essa responsabilidade era nossa. Não minha, não sua. Nossa e apenas nossa. Mas como aguentar uma responsabilidade nossa quando não existe mais o nós? Me diga, por favor.
Escrevo aqui, tudo o que não te disse. Espero que pelo menos leia antes de jogar fora, pois tudo nesta carta é fruto da minha sinceridade, até as vírgulas.
Se você quiser e puder, responda-me. Já sei até o que vai dizer. Vai dizer que nosso amor se quebrou no dia que tivemos nossa última conversa. E eu não discordarei, direi apenas que te amo. Pois essa, Karine, é a verdade mais pura. Amo-te, mais do que a qualquer outra Karine, mais do que qualquer Cíntia e até mais do que qualquer Gisele. Te amo, Karine. Só a ti e a ninguém mais. Amo.
Guilherme
Luciana Brandão ; às 12:22 PM ;
Resposta
Gui,
Nosso amor é feito de vidro. E o vidro não quebra, ele se multiplica.
Ps.: Me pegue na rodoviária às 17:45.
Luciana Brandão ; às 12:22 PM ;
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